Frankenstein
narrativo
O
modo para um jogador é, paradoxalmente, o maior trunfo
e o principal problema de "Battlefield: Bad Company".
O enredo apresenta o soldado americano Preston Marlowe, que escapou
da corte marcial ao ser enviado para a divisão apelidada
de Bad Company, que abriga os piores e mais insubordinados homens
da corporação. Lá ele se junta ao time composto
pelos outros soldados Sweetwater e Haggard, comandados pelo Sargento
Redford - todos bastante espirituosos e com pouca disposição
para o combate.
A
trama se desenrola em um conflito fictício com a federação
russa, e o grupo de guerreiros acaba se envolvendo em uma inconseqüente
busca por ouro utilizado para pagar mercenários. A aventura
pelo leste europeu acaba os levando a criar até mesmo um
conflito diplomático grave e os tornando desertores do
exército, ainda que eles não pareçam se preocupar
muito com essas trivialidades.
As
inspirações são claras, que vão de
"Os Doze Condenados" e cópias mais obscuras deste
sucesso do cinema, como "Assalto ao Trem Blindado",
mas o jogo parece sofrer com uma série de decisões
equivocadas, tanto no contorno de seus protagonistas quanto no
design.
Para começar, os quatro anti-heróis nunca param
de fazer comentários engraçadinhos; alguns são
realmente muito bons, mas não combinam com o clima do resto
do jogo ou com sua direção de arte. É normal
ver soldados dando ordens sob fogo cerrado, mas quando eles param
para fazer piadinhas cretinas, causando a sua distração,
é sinal de que algo não está funcionando
muito bem.
Houve um certo exagero. Foram quatro roteiristas e a impressão
que se tem é que todos quiseram incluir seus diálogos
no script, deixando-o extremamente pesado e cansativo. Isto funciona
contra o jogo, deixando os personagens muitas vezes antipáticos,
o que é um duro golpe contra a imersão.
Falando
nela, há alguns outros fatores, desta vez no design das
fases, que também chegam a distrair. Apesar de funcionar
em um conflito fictício, "Battlefield: Bad Company"
é razoavelmente embasado na realidade atual, mas o sistema
de energia é um tanto quanto fantasioso demais. Você
carrega algumas injeções, que são aplicadas
no seu peito e pronto, medidor cheio! O sistema de save points
também funciona de uma maneira mágica; ao morrer
você retorna do último ponto salvo, mas não
tem que enfrentar os inimigos que já destruiu, tornando
tudo bem mais tranqüilo e sem muitas conseqüências
ou reais penalidades.
Podem
parecer meros preciosismos, mas são pequenas coisas que,
utilizadas fora do contexto do jogo, criam um desequilíbrio.
Não custava tornar este elementos mais coesos, de uma maneira
em que se encaixassem dentro da narrativa e do clima geral da
produção.
O
clima do jogo é um tanto estranho, com certeza, patinando
entre o cômico e o nervoso, entre o realístico e
o fantasioso, mas ao menos os controles funcionam bem e ação
é de ótima qualidade. Veteranos da série
podem ficar tranqüilos, pois tiroteios de primeira os aguardam
aqui, com a tradicional opção de uso de veículos
e uso de várias armas.
O
grande diferencial deste título é a inclusão
de objetos destrutíveis, como casas, muros, barricadas,
algumas árvores inocentes e os onipresentes barris explosivos.
Isto cria uma nova dinâmica na ação, uma vez
que torna mais fácil acabar com as defesas inimigas, principalmente
daqueles que adoram ficar acampados atirando à longa distância.
Só não espere demolir prédios inteiros ou
grandes espetáculos de pirotecnia, já que a intenção
não parece ser a de encher os olhos do jogador, mas apenas
a de colocar alguma nova dinâmica nos combates.
Isto
porque "Battlefield: Bad Company" não é
nem de longe um jogo com apresentação de ponta.
Na verdade, em muitos momentos, ele tem uma performance medíocre.
O maior problema, com certeza, é o tearing, o efeito que
parece "cortar" a tela em movimentos mais rápidos
da câmera, mas há outros. O próprio desenho
dos personagens e veículos é pouco inspirado, que
não chamam a atenção ou ficam na memória,
com alguma granulação e certos problemas de colisão.
O áudio é infinitamente melhor, com um efeito surround
impressionante, principalmente nos sons mais abafados e graves,
que ganham ainda mais relevância se você possui um
bom sistema de home theater.