ogos de luta,
graças a "Street Fighter II", foram uma grande
febre no videogame durante a década de 90 e, aos poucos,
têm perdido espaço na cena atual. Os lançamentos
são escassos e, quase sempre, são esforços
de tradicionais empresas do ramo que também investem nos
fliperamas, outra coisa que anda em baixa ultimamente - como a Namco
com "Tekken" ou a Sega com "Virtua Fighter",
além da Capcom, claro, com "Street Fighter".
"Battle Fantasia" é um jogo de luta tradicional,
em 2D, que chega aos consoles dentro destes mesmos parâmetros.
Foi desenvolvido por uma veterana, a ARC System Works, a mesma
da série "Guilty Gear", e antes de chegar ao
console fez um tour pelos arcades japoneses. Mas, apesar de uma
rota similar, não tem substância suficiente para
encarar as outras séries citadas em pé de igualdade.
Mundo esquisito
Apesar de funcionar como jogos de luta clássicos mano
a mano, em um plano 2D, como "Street Fighter II" ou
"Art of Fighting", "Battle Fantasia" aproveita
o poder da geração atual para criar uma apresentação
bem chamativa. Tudo é feito com gráficos 3D, com
personagens grandes e chamativos, além de cenários
coloridos e repletos de detalhes bizarros que compõem um
mundo bem extravagante. Não faltam efeitos de luz, fogos
de artifícios e outras perfumarias para tornar as lutas
mais agradáveis aos olhos, assim como dublagens de anime
(em japonês) para a alegria dos fãs.
É um design bem japonês, com personagens exagerados
inspirados em traços de mangá, com um clima de humor
e muitos elementos fantásticos que acabam criando uma salada
um pouco indigesta para aqueles que levam jogos de luta a sério.
Como exemplo de diversidade é bom citar o garoto URS, que
tem um braço mecânico que mistura uma serra elétrica
com uma espécie de sabre de luz, um coelho de chapéu
chamado Watson, e um sujeito chamado Donvalve, que parece um típico
anão de RPGs na tela de seleção, mas que
surpreende ao surgir na luta tomando quase a tela inteira.
Balanceamento confuso
Aliás, RPGs parecem ter sido uma forte base de inspiração
para "Battle Fantasia" uma vez que o balanceamento está
atrelado, de alguma forma, a este tipo de jogo. Não dá
para saber exatamente qual o tipo de base os desenvolvedores tomaram
e quais os cálculos que fizeram para chegar ao resultado
final.
É fácil notar logo na barra de energia dos lutadores.
Uma luta entre, digamos, o gigante de armadura Deathbringer e
o jovem clérico Cedric parece, de cara, bastante desigual,
pois o grandalhão começa com 5500 pontos de vida
enquanto o rapaz conta com pouco mais de 2800. Mas Cedric parece
ter poder de fogo muito maior, ou mais agilidade talvez, só
que não parece nunca ser uma ciência exata e, no
fim das contas, tudo se resume a defender para escolher o momento
ideal para aplicar alguns golpes mais poderosos - tudo no mesmo
esquema de sempre, imitando Hadoukens ou coisa que o valha, e
acumulando barras de especial.
Diversão passageira
Além dos modos Arcade e Story - que não se esforça
tanto assim para contar uma história - há modos
clássicos como Time Attack e Survival e um modo online
que funciona surpreendentemente bem, isto é, se você
conseguir encontrar algum parceiro para enfrentar. O problema
é que, no fundo, não importa em qual modo você
está, não dá para fugir do balanceamento
estranho e do mirrado elenco de 12 lutadores, o que acaba afugentando
os fanáticos pelo gênero e os que gostam de um desafio
mais profundo.
CONSIDERAÇÕES
"Battle Fantasia" é um jogo de luta com uma mecânica
clássica em 2D, mas embalado com gráficos 3D bem
chamativos. O design pouco usual de personagens é muito
interessante; são todos simpáticos e atiçam
a curiosidade, mas o balanceamento estranho e a mecânica
simples impedem que o jogo prenda a atenção dos
fãs do gênero por muito tempo.